Parece um peru grandão


A famosa frase proferida pelo garotinho no filme Parque dos Dinossauros (Jurassic Park 1993) ao paleontólogo Alan Grant interpretado pelo ator Sam Neill parece estranha por um momento, mas não esta de toda errada.
Quando pensamos em dinossauros rapidamente em nossa mente vem a imagem de animais grandes, parecidos com lagartos desajeitados e que foram extintos por um meteoro que colidiu na costa da América Central.

Mas a verdade é que nem todos eram grandes, nem parecidos com lagartos, não eram desajeitados e muito menos foram todos extintos por um meteoro.

Mas onde foram parar esses animais monstruosos?

Ninguém vê por ai velociraptores em programas de televisão sendo cutucados e estrangulados pelo Richard Hasmussem ou pelo falecido Steve Irwin, ou será que vemos?

No período cretáceo um grupo de dinossauros bípedes conhecidos como Terópodes caçavam em bandos por todo o planeta, inclusive em terras tupiniquins.

Esses são os dinossauros que as crianças mais amam, astros como Tiyrannosaurus rex e o Velociraptor mongoliensis (fig1) estão dentro deste grupo, em sua maioria carnívoros ( com exceção dos Therezinosauridae que eram estritamente herbívoros ) todos apresentavam dentes e garras especializadas para a predação.
Mas o que então os terópodes têm a ver com o peru grandão?

Fig. 1: Exemplo de Terópode- Velociraptor mongoliensis

Tem tudo a ver, tais animais possuíam características bem interessantes e muito distintas do que nós conhecemos artificialmente como “Répteis”.

Vamos começar pelas características anatômicas.

Um dos grupos de Terópodes conhecido como Eumaniraptores carregam consigo muitas características fantásticas que os correlacionam não só com os perus, mas com todas as aves que conhecemos. Entre estas características destacam-se a existência de clavículas fundidas formando a Fúrcula ou o famoso “ossinho da sorte” (fig. 2), o primeiro digito dos membros pélvicos voltados para trás, os ossos da escapula e do coracóide fundidos formando um “L”(utilizados nas aves atuais como ponto de inserção de musculatura de vôo), além de seu ísquio e púbis serem também voltados para trás como de qualquer canarinho do seu avô.

Fig.2: Acima Fúrcula de um exemplar de Tyrannosaurus rex e abaixo furculas de diversas espécies de aves modernas.

Interessante não é?
Isso porque eu não mencionei que eles também tinham penas!

O primeiro dino penado foi encontrado em Solnhofen na Alemanha em 1861, foi classificado erroneamente como um Compsognathus ( um pequeno dinossauro terópode) em princípio, mas logo o erro foi corrigido e foi batizado como Archaeopteryx lithographica (fig. 3) que significa “Asa Antiga Desenhada nas Rochas” devido as incríveis marcas de penas simétricas fossilizadas junto do esqueleto do animal.
Fig.3: Fossil do espécime de Archaeopteryx lithographica de Londres, para ver os demais fosseis da espécie clique aqui.

Outros exemplares desta espécie foram encontrados com o passar dos anos, porém só muito mais tarde outras espécies foram sendo descobertas e os sítios de dinos com penas se mudaram da Alemanha para a China e lá as coisas ficaram ainda melhores!

Um dos mais interessantes dinossauros penados ganhou o nome de Microraptor gui (fig.4), este terópode possui todas as características que vemos nos Eumaniraptores, mas uma delas é diferente, possuir quatro asas (localizadas nos membros toraxicos e pélvicos)!
Pode-se tranquilamente dizer que a cada ano o número de fósseis que elucidam a evolução das aves fica maior, fazendo que se consiga traçar uma árvore evolutiva maravilhosamente detalhada para este grupo.

Fig.4: a, Fossil de Microraptor gui; b, raio x evidenciando a estrutura ossea do animal; c, representação do animal em vida.

Mas as evidências nem de longe estão somente na anatomia comparada e nos fósseis. Recentemente pesquisas envolvendo genética de galinhas tiveram como resultado embriões com dentes (fig.5) típicos de dinossauros e testes com proteínas de colágeno extraídas de fosseis de um Tyrannosaurus rex conseguiram demonstrar também esse parentesco.
Fig.5: Dentes de dinossauro crescendo em embriões de galinhas após um gene "adormecido" ser religado.

Tudo isso demonstra como a historia evolutiva dos organismos é incrivelmente bela, um grupo que apareceu a cerca de 145 milhões de anos ainda possui representantes vivos entre nós.
E que aquela galinha com cara de assustada no sítio da sua família tem um passado muito mais interessante e selvagem do que você jamais imaginou.

2 comentários:

Ravick 4 de julho de 2009 15:39  

Grande Pablo, ótimos textos. Cara, que acha da idéia de linkar imagens e afins de modo a aparecer em outra janela ou aba? É que daí a gente pode continuar lendo sem sair da tua janela :D
Abração, e parabéns pelo blog!

Pablo Moreno 5 de julho de 2009 07:52  

Ravick brigadão pela visita!
É uma idéia ótima, preciso descobrir como se faz isso, ainda estou apanhando aqui do blogger e ele ainda tem apresentado muitos problemas.

Grande abraço pra você!

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