O Hobbit

Não, o blog não mudou de história natural para Tolkien!


Quando digo Hobbit não estou querendo falar sobre Frodo e nem o Bilbo Bolseiro, aqui estarei tentando deixar você a par do nosso possível primo chamando Homo floresiensis.
A história toda tem inicio em 2003 quando uma equipe de pesquisadores encontrou em uma caverna na Ilha de Flores (Indonésia) um esqueleto bípede de 1 metro de altura com um crânio completo e uma mandíbula pertencente a um segundo individuo.


Algum tempo depois mais sete indivíduos em estados de preservação diversos foram encontrados na mesma caverna, junto com ossos de Dragões de Komôdo, Elefantes Pigmeus, Ratos Gigantes e principalmente ferramentas utilizadas por esses hominídeos.

O Homem de Flores (fig. 1) como também é conhecido viveu por volta de 30 a 18 mil anos atrás, no mesmo momento em que nossa espécie já se encontra estabelecida na Europa e na Ásia.

Fig.1: Crânio de Homo floresiensis comparado ao crânio de um Homo sapiens, tamanho reduzido e caracteristicas primitivas.


O antropólogo Peter Brown responsável pela descoberta ao examinar esses indivíduos concluiu que os mesmos não eram Homo sapiens, já que características mais similares a um outro parente nosso conhecido como Homo erectus pareciam estar em mais evidência com os baixotinhos.

Tudo estaria muito bonito se não fossem outros pesquisadores que não concordaram que nossos Hobbits fossem uma outra espécie e sim apenas um grupo de H.sapiens com microcefalia!

Segundo os contrários a nova classificação de espécie dos esqueletos da Ilha de Flores o tamanho do cérebro destes indicaria claramente a presença desta patologia.
O interessante nesta ideia é que o tamanho do cérebro dos Hobbits (380cc) se compara ao encontrado em chimpanzés já que nos H. sapiens o tamanho de cérebro pode chegar a 1.400ccou mais, evidênciando assim a microcefalia.

Ok, seus cérebros podem indicar pessoas microcefálicas (mesmo que eu não consiga ver ondeeste crânio de um H. sapiens microcefálico pareça com o Hobbit), mas e o resto do corpo?

Bom, é aí que a coisa fica estranha!
Em 2007 o pesquisador Mattew Tocheri resolveu estudar os ossos do pulso de um dos espécimes mais completos da caverna, a fêmea LB1 focando a pesquisa nos ossos chamados Trapezóide, Scafóide e Capitato (fig 2) já que sabemos a tempos que tais ossos entre os humanos modernos e os demais primatas que fazem parte de nossa história evolutiva são bem distintos.
Se os Hobbits fossem somente Homo sapiens com microcefalia então seus trapezóides deveriam ser iguais aos nossos e foi isso que apareceu quando Tocheri comparou seus dados, certo?

Errado!
Esses ossos nos Hobbits não são como os nossos, são muito parecidos com o que encontramos nos demais grandes primatas, como nos Chimpanzés!
Analises realizadas nos braços do espécime feito pela pesquisadora Susan G. Larson também indicam que a proporção em relação ao corpo é diferente, remetendo as proporções encontradas em espécies do gênero Australopithecus e os atuais Chimpanzés.


Fig. 2 : Comparação entre ossos do punho de Chimpanzé, H. floresiensis e de um H. sapiens . Repare que os ossos do Hobbit são mais semelhantes aos chimpanzés do que aos humanos modernos.

Então podemos concluir que os Homo floresiensis descendem dos Homo erectus que por viverem em área insular tiveram uma redução de tamanho como acontece com muitos animais em mesmo ambiente?


Talvez não, a ultima pesquisa envolvendo nossos personagens Tolkieanos estudou os ossos dos pés desses hominídeos (fig 3).
O estudo realizado por William Jungers constatou que os pés do exemplar LB1 na realidade são mais primitivo que o dos Homo erectus, fazendo com que os Hobbits não pudessem correr de forma tão eficiente quanto nós.
Ao que tudo indica este estudo o ancestral do Homo floresiensis é ainda mais antigo do que o próprio H. erectus!

Fig. 3: Ossos dos pés do espécime LB1 acima e sua Tíbia abaixo.

A qual espécie pertence este ancestral do Homem de Flores?
Onde se originaram e qual sua rota de migração?
A verdade é que até agora nenhuma destas questões podem ser respondidas, o pouco que sabemos sobre os Hobbits pré-históricos levanta mais dúvidas do que as responde.
A única coisa que podemos ter certeza é que o Homo floresiensis ainda vai gerar muito trabalho para os paleontólogos e antropólogos que tentam elucidar nossa história evolutiva.





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